Ao mestre com carinho!


 
Em comemoração ao dia dos professores, o blog +Mãe de Moleque terá uma nova colunista a professora +Nilva Moraes Ferreira 

 
A coluna se chama Fala professora!!!

 

Teremos dicas sobre educação infantil e vocês podem encaminhar suas dúvidas para o nosso e-mail maedemoleque@gmail.com

 

Saiba mais sobre Nilva Moraes Ferreira, autora da coluna mensal "Fala professora", publicada aqui no Mãe de moleque.

 
Com 27 anos, casada, e mãe de dois filhos pequenos, um de quatro anos e outra de dois anos, fui convidada para ser diretora de uma escola pública estadual de 1º grau – antiga 1ª fase. Muito feliz fiquei, tornar independente, ter a minha renda própria, e ainda ter minha competência reconhecida era tudo que eu queria; entretanto, partir para o trabalho fora também significava passar menos tempo ao lado dos meus filhos, e só por isso, reconheço, hoje, que agi de forma impensada, sendo até insensata e imatura, pois nada é mais importante do que a mãe ao lado dos filhos, principalmente nessa idade, que estavam os meus.

Fiquei na direção escolar por muito tempo, 14 anos, e na coordenação escolar por dois anos. Durante todo esse tempo, fiz o que pude para oferecer um ensino de melhor qualidade. Nesse período, abrimos as primeiras salas da escola inclusiva em nossa cidade. Aprendi muito com as crianças deficientes. Para os alunos também, foi muito bom para a convivência dos mesmos, pois aprenderam/aprendem a conviver com a diferença e se tornam cidadãos mais solidários.

Aprendi também que a escola pública é a melhor escola da vida. Lá o aluno vê a vida como ela é. Com suas diferenças e desigualdades. Vê o rico e o pobre. O que vai bem vestido e o que não pode comprar se quer o uniforme; o que vai cheirando a querosene por morar na zona-rural ou em um assentamento, que acorda às três horas da manhã, para ficar no ponto para pegar o transporte escolar, e dorme, na sala, quase o tempo todo; o que vai contando as brigas dos pais; o que não tomou o café da manhã e está morrendo de fome, vai mais por causa da merenda escolar. “Quem não tem pai”, muitos são filhos de mães solteiras, quem mora com os avós ou apenas com o pai.

Depois desse longo período,  fui para um colégio público também, passei a ser professora. Lecionei por mais de 10 anos, profissão que me rendeu muito aprendizado, mas muito estudo, muito planejamento e muito trabalho. A meu ver chegou a ser escravizante. “Não tinha tempo para nada”, trabalhava de manhã e à noite; tinha o período da tarde para planejar, preparar para melhor ensinar. Sempre fazia uma autoavaliação minha e dos meus alunos, antes de começar. Comecei trabalhando Língua Portuguesa  para a segunda-fase do 1º grau - 6ª série, hoje,  7ºano do Ensino Fundamental. Depois lecionei em todas as séries do 1º ao 2º grau. Nesse colégio, sofri bastante, embora gostasse muito de ensinar. Ser professora, hoje, não é fácil. A escola não chama mais atenção dos alunos, e são poucos os quê são estudantes e gostam de aprender; outros vão porque gostam de estar com os colegas e porque são obrigados a estudar. Contudo, como professora, sentia mais à vontade, tinha mais autonomia do que em outros cargos. Sempre fui muito respeitada; graças a Deus; fiz tudo por merecer o respeito de meus alunos e colegas de trabalho, pelas minhas atitudes e trabalho desenvolvido, junto aos meus alunos e colegas. Sempre buscando inovar e desenvolver um ensino de melhor qualidade possível.
 
 
 
 
Tive vários alunos. Alunos de todos os jeitos - educados, estudiosos, tímidos, metódicos, agressivos, bagunceiros, complexados, complicados, hiperativos, esforçados, inteligentes, criativos. Uns eram crianças, outros muitos jovens; outros eram pais, mães, avós, precoces, ainda; outros nem tanto. Pobres, ricos, brancos, negros, religiosos, ateus e homossexuais. Todos de um jeito. Todos, para mim, especiais!
 Depois que comecei a lecionar, depois de um ano, resolvi me formar. Trabalhava a semana inteira, e na sexta-feira/sábado, domingo e férias escolares, fazia o curso de Letras, em uma Universidade Estadual, na cidade vizinha. O curso durou quatro anos. Lembro-me que, naquele tempo, não tinha computador e nem internet em casa. Pesquisava em biblioteca, lia e estudava muito, a semana toda, para poder fazer os trabalhos. Mas valeu a pena, sempre gostei muito de estudar. Depois de certo tempo, achei que tinha que me especializar mais, fiz um curso de pós-graduação pela Universidade Federal, na mesma área, em outra cidade vizinha, duração de dois anos. Foi muito importante para mim, aprendi muito da Língua Portuguesa, mas não sei tudo, há muito o quê aprender. Só os doutores podem dizer que sabem. Eu, estou apenas repassando o que a mente  vai ditando, desculpe-me se encontrar erros, reconheço que, com o tempo fora da sala, dos livros e até da própria prática com a escrita, não se pode confiar muito. 

Trabalhei 27 anos.  Hoje, estou aposentada. Tenho, graças a Deus, uma vida equilibrada. Tenho uma família grande. Meu marido, meus filhos e meu netinho são maravilhosos. Depois de tudo, posso dizer como Fernando Pessoa, “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.

 

Ser professor é professar a fé e a certeza de que tudo terá valido a pena se o aluno sentir-se feliz pelo que aprendeu com você e pelo que ele lhe ensinou...

 
Feliz dia dos professores !!!!


Ser professor é consumir horas e horas pensando em cada detalhe daquela aula que, mesmo ocorrendo todos os dias, a cada dia é única e original...

 

Ser professor é entrar cansado numa sala de aula e, diante da reação da turma, transformar o cansaço numa aventura maravilhosa de ensinar e aprender...

 

Ser professor é importar-se com o outro numa dimensão de quem cultiva uma planta muito rara que necessita de atenção, amor e cuidado.

 

Ser professor é ter a capacidade de "sair de cena, sem sair do espetáculo".

 

Ser professor é apontar caminhos, mas deixar que o aluno caminhe com seus próprios pés...

 

 

Abraços
+Mãe de Moleque

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