“Lar, doce lar”


Em primeiro lugar desculpem minha ausência estava cuidando e ainda estou do pai do moleque que nos assustou bastante...sofreu um infarto, mas agora esta em casa e em recuperação graças à Deus.

O texto da nossa colunista fala sobre o que hoje sobre o lar e aqui chamamos de ninho, podemos voar nos nossos afazeres o dia todo, mas sabemos se algo apertar nosso ninho esta lá para nos receber.

Tem uma musiquinha no filme "Bolt" que fala sobre isso..."Não há um lar melhor que o seu, pois ele pertence a você"




Não importa o tamanho, a casa deve ser um lugar aconchegante, uma vez que, é o espaço onde se deve morar - descansar, receber as refeições, reunir a família ou receber os amigos. Casa deve ter cheiro de lar, cheiro de vida, onde as coisas acontecem; se comunicam entre si - aqui tem uma família religiosa, aqui tem uma família que tem crianças, aqui tem uma família que gosta de ler, que gosta de música, que gosta de arte, que gosta de plantas, que gosta de animais. Que gosta de receber gente em casa. Que tem a cara da gente. Não é difícil receber essas informações, logo que adentramos em uma casa.
Como disse Carlos Drummond de Andrade:

“Tem gente que gasta muito tempo limpando, esterilizando, ajeitando os móveis, afofando as almofadas...
Não, eu prefiro viver numa casa onde eu bato o olho e percebo logo:
Aqui tem vida... Casa arrumada é assim:
Um lugar organizado, limpo, com espaço livre pra circulação e uma boa
entrada de luz.
Mas casa, pra mim, tem que ser casa e não um centro cirúrgico, um
cenário de novela.
Aqui tem vida...
Casa com vida, pra mim, é aquela em que os livros saem das prateleiras
e os enfeites brincam de trocar de lugar.
Casa com vida tem fogão gasto pelo uso, pelo abuso das refeições
fartas, que chamam todo mundo pra mesa da cozinha.
Sofá sem mancha?
Tapete sem fio puxado?
Mesa sem marca de copo?
Tá na cara que é casa sem festa.
E se o piso não tem arranhão, é porque ali ninguém dança.
Casa com vida, pra mim, tem banheiro com vapor perfumado no meio da tarde.
Tem gaveta de entulho, daquelas que a gente guarda barbante,
passaporte e vela de aniversário, tudo junto...
Casa com vida é aquela em que a gente entra e se sente bem-vinda.
A que está sempre pronta pros amigos, filhos...
Netos, pros vizinhos...
E nos quartos, se possível, tem lençóis revirados por gente que brinca
ou namora a qualquer hora do dia.
Casa com vida é aquela que a gente arruma pra ficar com a cara da gente.
Arrume a sua casa todos os dias...
Mas arrume de um jeito que lhe sobre tempo pra viver nela...
E reconhecer nela o seu lugar.”

Drummond tem toda razão. “O lar, um doce lar”, o antigo lar, o lugar onde as famílias moravam/viviam/ passavam o maior tempo, recebiam as refeições, criavam os filhos, “lavavam as roupas sujas”, como dizia a minha mãe, está ficando cada vez mais desabitado, vazio, dando espaço para as casas de revistas, tudo muito arrumadinho, tudo muito organizado. Nesse lugar vivem mais as empregadas domésticas, as babás e os filhos menores.
Fonte foto google


Quantas famílias já não fazem mais suas refeições em casa, e por esse motivo, as panificadoras e restaurantes todos os dias estão lotados. A maioria das mulheres que trabalha fora, principalmente nas grandes cidades, está cada vez mais sem tempo, e quando chega a casa, é só cansaço. Assim, como as mães, muitas meninas já não aprendem a cuidar da casa, não aprendem a fazer um bolo, não aprendem, se quer, fritar um ovo. Os estudos e as atividades extracurriculares tomam todo o tempo delas.
Sou mãe, já trabalhei fora, sei o que é ter dupla ou mais jornadas de trabalho. Nem sempre conciliar é fácil.  Há muitos afazeres em casa que precisamos rever/ fazer, mesmo tendo alguém que os faça. É a revisão do cardápio, dos serviços domésticos, é a ida ao supermercado, é a revisão das roupas das crianças e do esposo, é a ajuda aos filhos, nas tarefas escolares. É muita coisa! Não? Vida de mãe, não é fácil! Por isso, muitas mulheres aprendem desde cedo, quando pode, a comprar tudo que se deseja, e pagar para fazer. A casa virou mais um hospedeiro, aonde as pessoas vão apenas para dormir. Muitos dizem “sou hóspede em casa”.

Mas o lar tem suma importância na vida humana, pois é o berço de costumes, hábitos, caráter, crenças e morais de cada ser humano, seja no contexto mundial, nacional, municipal ou familiar. Então, podemos perguntar, como vai o lar, como vai o mundo?

O ensino no lar está se tornando cada vez mais significativo no mundo atual. Os pais precisam reconhecer que o ensino no lar é uma responsabilidade deles também, e não só das mães. “Ainda temos resquícios de uma educação que nos ensinou que a responsável pelos filhos é a mãe”, diz a terapeuta familiar Quézia Bombonatto, presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp).  O termômetro é a reunião de pais e mestres nas escolas. Ainda não existe uma participação considerável dos pais, hoje em dia. Muitos pais trabalham fora, assim, como muitas mulheres, mas as mães têm se preocupado mais, graças a Deus. Precisamos continuar sendo fontes de referências para os filhos, “minha mãe me ensinou isso”, “meu pai faz assim”, não deixar que terceiros cubram nossas faltas.

Segundo Amaral, psicólogo, o perigo da terceirização é quanto à afetividade; Amaral diz que “se a babá fizer apenas os cuidados básicos não há problema algum. O que deve ser evitado é a babá funcionar como figura central de apego, ou seja, o adulto de referência emocional, que dá sustentação psíquica para a criança construir sua exploração do mundo. O problema é que queremos tudo: queremos ter filhos, continuar com nossas vidas cheias de compromissos, mas não temos a capacidade de suportar que nossos filhos se estruturem mais na confiança de outro adulto do que de nós. Sofremos quando não somos estas figuras de referência”.


A mãe e o pai podem/precisam trabalhar fora, estudar, mas devem, sim, também  fazer o possível para dispensar/ compartilhar com o filho momentos de intimidade e entrega, ou seja, chegar do trabalho mais cedo e brincar com a criança, dar banho, jantar juntos, passear e  colocá-la para dormir. “A mãe que contrata babá de fim de semana, babá noturna, enfim, não está na linha de frente do cuidado do filho que fica desnutrido afetivamente, ou seja, há a terceirização da criação”, comenta o psicólogo.

O maior problema é quando os pais e as mães saem antes dos filhos acordarem e chegam quando os filhos já estão dormindo. E nos finais de semana, “eles precisam de um momento para eles, eles merecem descansar”, as mulheres vão para o salão de beleza, para as compras ou “dar aquela faxina na casa” e os homens vão para o seu futebol ou outro tipo de lazer, e os filhos continuam com terceiros. “Ainda bem”, discordando em parte do psicólogo, que algumas famílias têm a sorte de encontrarem pessoas (babás e trabalhadoras domésticas) que dão atenção, afeto, e cuidados básicos garantidos para seus filhos, sendo capazes de amá-los (os filhos dos outros) como se fossem os seus. Deixando seus próprios filhos a mercê de outros, em creches, ou mesmo em casa por conta de irmãos, crianças, ainda; ou sozinhas, alguns até “meio” abandonados por terem que trabalhar para ganhar dinheiro, cuidando das crianças dos patrões.

Dessa forma, podemos perceber que em todas as classes sociais, os filhos estão sofrendo de um mesmo mal - síndrome dos pais ausentes.  “Da mãe a sensibilidade feminina e do pai a austeridade masculina”, como diziam os mais velhos, pois enquanto essas babás e trabalhadoras domésticas estão cuidando dos filhos dos outros, os seus crescem sem carinho. Como qualquer mãe que trabalha fora, a mãe trabalhadora doméstica tem filho que fica doente, às vezes, que precisa  também ser educado, que tem reunião na escola. E muitas delas ficam até o final de semana, sem poderem voltar para casa. Algumas, além de cuidar das crianças, fazem toda a lida da casa, “a tempo e hora”. Não sei como dão conta. Será que elas conseguem conciliar o trabalho da casa da patroa, e ainda dar a atenção devida para as crianças que cuidam? É preciso pensar nisso.

Precisamos pensar na educação informal – na ”educação de berço”, “a do lar” como um todo. Do individual para o coletivo. Em nossa sociedade já não basta pensar só “eu faço da minha parte”. Precisamos pensar no todo. Vamos refletir sobre três pequenos exemplos apenas: Primeiro, se eu cuido do meu quintal, mas o meu vizinho não cuida, o Aedes aegypti não vai ser extinto ou reduzido nunca. Segundo, se eu economizo água, energia, mas a maior parte da população não, o que adiantará, é claro que para o meu bolso sim, mas para conservação das mesmas, no Meio Ambiente, não.  Terceiro, se eu educo o meu filho, mas a maior parte das famílias não, porque não tem tempo, estão cuidando dos filhos dos outros ou dos meus; eu mesma (o) - a sociedade sofrerá de alguma forma com isso. É preciso ter bom senso, e pensar logicamente. É através dos pequenos gestos e atitudes que ajudaremos a nossa sociedade e o nosso planeta. Algo precisa ser feito. O que fazer? Grande pensadora foi a minha avó “Não adianta tampar um santo e deixar outro descoberto.”

Segundo Mariana Sgarioni, jornalista, que já passou por veículos importantes como Superintessante, Folha de São Paulo e Cláudia, entre outros, “em nossa sociedade, já não se pode falar em patriarcado e matriarcado. O que temos realmente, salvo exceções interessantes, é a ausência de definições de papéis, de quem assume o que em relação à família ou aos filhos. As pessoas vivem com medo de ser criticadas, de assumir que tiveram a coragem de fazer uma opção pela família. O que se propõe? A volta da mulher à condição de dona de casa e rainha do lar? Claro que não, o que se propõe é a conscientização da paternidade e maternidade. Crianças choram a noite, nem sempre dormem bem, precisam de cuidados especiais, de limpeza, de banho, alimentação, ser educadas e acompanhadas até idade adulta. Será que todos os seres humanos precisam ser pais? Sejamos sinceros, nem todo mundo está disposto a arcar com esse ônus. Talvez seja melhor adiar um projeto de maternidade, e mesmo abrir mão dessa possibilidade, do que ter um filho ao qual não se pode dar atenção, carinho e, principalmente, presença constante.”

E você o que pensa disso? Você pode pensar, a professora esquivou do tema, não foi; foi uma estratégia que usei para chamar atenção das famílias sobre questões, que às vezes, valorizamos demais e outras que deixamos de valorizar.

Um beijão a todas as mães pelo Dia das Mães +Nilva Moraes Ferreira 

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