Minha gratidão ao autismo

O que posso dizer da Dalila...Dali te dedico, vc é uma mãe nota Mil!!!
Antes de me mandar este texto ela me marcou tbe no em um documentário chamado Tarja Branca  já assistiram?

A revolução que falta é a revolução da criança!!!!

Pois é...eu amo o ócio produtivo, dele cresce a criatividade à vontade em fazer algo novo!!!

"Não sei que ele vai ser quando crescer...mas com certeza será mais feliz"

Ensino livre, brincadeira não dirigida...não fazer nada...é de onde nasce as melhores ideias da humanidade...vale a reflexão!!!



Quando fomos na consulta com a médica de Pedro ela me pediu que o acompanhasse quando não estivesse na escola.

Até então eu trabalhava fora e tinha uma pessoa que cuidava dele. E agora?
Por algum tempo eu tentei conciliar o trabalho e a vida doméstica, passei a trabalhar apenas no período da escola e ficava em casa com ele o restante do tempo; mas isso não deu certo. Então, segui a recomendação médica: saí do trabalho e passei a me dedicar inteiramente aos cuidados familiares (que é um jeito lindo e diplomata de tratar a rotina doméstica!)

No começo é empolgante, eu tinha aquele gás! Levantava cedo, ajeitava tudo, arrumava, limpava, fazia comida... Filhos chegando da escola e mamãe passava as tardes entre dvds e brinquedos... No fim do dia, colocava as crianças pra dormir, arrumava a cozinha e ia dar atenção pro marido.
Isso funcionou bem, por algum (breve) tempo.

Porque ainda não inventaram nada mais degradante para uma mulher do que a profissão de "dona de casa", é a função mais ingrata e interminável do mundo, gente! Você prepara o almoço, limpa tudo, arruma tudo, daí a família inteira almoça e quando você termina tem o que? Mais uma pia de louça te esperando.

Ficar em casa acompanhando os filhos não é ruim, é gostoso! O problema é que eu nunca pude me dedicar exclusivamente a isso; quando deixei de trabalhar, deixei de ter meu próprio dinheiro e já não podia mais ter alguém pra ajudar nas tarefas do dia-a-dia.

É muita coisa!

Sem contar que, com crianças pequenas, não dá pra começar uma tarefa e terminar; sou interrompida várias vezes. Incontáveis vezes eu preciso ser médica, juíza (advogada, NUNCA!), engenheira, diplomata, psicóloga, enfermeira (mas não recebo salário de nenhuma dessas categorias). O dia vai ficando cada vez mais curto, as tarefas vão se acumulando....

Então, se você trabalha fora e acha que deveria ficar em casa para acompanhar seus filhos, pense bem! O trampo é pesado! E você não tem salário no final do mês!
Mas quem disse que salário é a melhor coisa do mundo, gente?

Não existe experiência melhor para uma mãe do que acompanhar seus filhos: saber o que fazem, como pensam, como se sentem diante de cada situação...
Se eu trabalhasse fora, não os veria acordar. Quando acordam, vão até mim e me abraçam.
Saber que meu filho tem autismo e vê-lo dizer "bom dia, mamãe", pedir desculpas, abraçar, fazer carinho... não tem preço!

Estando em casa eu posso lhe oferecer os estímulos necessários para vivenciar o mundo!
Faz bolhas de sabão e diz: "essa é gigante!"
Antes de dormir deitamos juntos (nós três) e lemos uma história, faço as vozes dos personagens, faço links com acontecimentos do nosso dia...

Sabe o que é você saber que seu filho tem autismo e, quando chega em algum lugar, ele diz "oi", ele cumprimenta as pessoas, abraça, beija...? É indescritível!

Então, se você trabalha fora e acha que deveria ficar em casa para acompanhar seus filhos, pense bem! O trampo é pesado! E você não tem salário no final do mês!

Tudo o que você vai receber não é uma moeda sequer.
Tudo o que você vai receber não trocaria por dinheiro nenhum do mundo!
Você vai receber incontáveis beijos e abraços por dia.
Você vai ser o ombro amigo, o abraço seguro para todas as mágoas.
Você vai dar um beijinho mágico e fazer o machucado parar de doer.
Você vai se sentir orgulhosa cada vez que eles comerem toda a comida.
E quando tudo isso acontece com um moleque autista, ganha um significado todo especial, ganha uma dimensão ainda maior do que realmente seria se ele não fosse assim.
Eu sou grata pelo autismo ter aparecido em nossas vidas porque me mostrou que a vida é muito mais esplendorosa do que seria se não houvesse o autismo.
Depois do autismo tudo ganhou um novo significado. O próprio tempo ganha uma nova roupagem.
Uma forma de explicar isso é assim: a gente vive achando que sabe o que é amar, até nascer o primeiro filho e mostrar pra gente que o amor é muito maior!
Com o autismo foi assim. Quando o acolhi e compreendi, minha vivência se transformou!
Depois de ter abandonado um pouco mais a minha vida pessoal (quando parei de trabalhar fora), pude contemplar uma face da vida que eu jamais imaginara. E isso me deu base para preparar os meus filhos para a vida de uma forma diferente, para encarar a vida sob essa ótica, para que reconheçam o essencial e valorizem, para que as pessoas sejam mais importantes do que suas aparências.
Cada conquista, cada nova habilidade , cada passo dado na direção da evolução tem um significado ainda maior.

Nossa vida ganhou um significado muito maior depois do autismo.

2 comentários:

  1. Amei o post ... Sou mãe tempo integral, e realmente o pagamento que temos dinheiro nenhum tem valor maior que os abraços, beijos, carinhos, e tudo que podemos fazer para eles e com eles.

    Beijos Mi Gobbato !!!
    http://espacodasmamaes.blogspot.com.br/

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  2. Amei!!! Nesse ano passei a ser mãe em tempo integral, e estou amando essa nova realidade. Realmente é pesado, cansativo, mas.... não tem dinheiro que pague poder estar com eles!

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