A prática na sala de aula e a preparação do aluno para a vida


Oi pessoal, tudo bem por ai?
Em primeiro lugar fiquei imensamente feliz com a repercusão do texto sobre etica principalmente pelo interesse das escolas neste assunto me fez acreditar que ainda exista em algum lugar uma escola que meu filho será estimulado a pensar e a ser um cidadão de bem.
E a minha colunista querida, sempre tão atenta aos meus questionamentos sobre a educação do moleque (que de tanto cobrar a escola já sou conhecida como a mãe chata) me honrou com um texto seu sobre as minhas reflexões neste texto Competências maternas x futuro dos filhos
 
Nilva Moraes Ferreira Colunista em Educação

Apesar de a maioria de educadores, pais e alunos ser conscientes a respeito da prática e de ensinamentos, na sala de aula, sobretudo, acerca de valores que são importantes para a vida; infelizmente, o que se sabe, é que, ainda, é insuficiente essa preparação, pois não tem dado o valor e a freqüência necessária que precisa. Deixando, inclusive, de resgatar o objetivo principal da Educação – que é não encher as mentes das crianças e jovens, mas abri-las - conscientizando de que são mais capazes do que pensamos. Uma vez que, o verdadeiro educador não é o que acumula conteúdos nos alunos, arquivando coisas que eles nunca usarão na vida. Mas aquele que faz despertar a fome de conhecimentos, o desejo da busca que lhes interessa, no momento.

Assim, se faz necessário que todos lutem por um objetivo comum, sobre a vida em si, sobre o que funciona e o que é essencial trabalhar nas escolas. Trabalhei quase a metade da minha vida em duas Escolas Públicas. Durante quase trinta anos, fiz o melhor que pude; embora, preocupasse muito com os conhecimentos e habilidades propostas pelo currículo, que muitos, ainda, o chamam de mínimo; não deixava escapar a oportunidade que tínhamos com o trabalho com os textos para ensinar algo sobre a vida, tais como: a importância de saber valorizar / lidar com as pessoas/circunstâncias para poder gerar os resultados esperados; o valor de se empregar uma postura e linguagem correta, firme, mas amável; a diferença que faz por ter bons hábitos (boa higiene, educação, gentileza e atenção) em tudo que fazemos; não esquecendo de que nunca é tarde para mudar um hábito, assim, como uma atitude que nos faz mal. Que nossas vidas são feitas de nossas escolhas. Que precisamos fazer por merecer, ir à luta porque a vida não é fácil. Que só depende de nós. 

Todavia, Elaine, quando me deparo com tantas angústias suas, fico querendo ajudá-la. Mas logo penso - será que ainda posso e sei? Quando você questiona “quanto à metodologia falida e arcaica que não presa a meu ver o principal que é o "aluno", o que ele sabe, a bagagem que já traz de casa, o que ele gosta de estudar, ou que tem facilidade em aprender”. Quando a “querer ser mais participativo no seu processo educacional escolar e se frustrar por não ser”. Onde “trabalhos hoje não têm apresentação deles, apenas a entrega deles, será que assim é o certo?” Diante de tantas questões coerentes e necessárias ditas por você para o bom desenvolvimento do ensino aprendizagem, só posso lhe dizer com toda experiência que tenho, Elaine, que não é certo os trabalhos ficarem sem apresentação. Principalmente, pelo fato de que muitos alunos, hoje, só copiam do Google, os trabalhos. O certo seria os alunos, em grupos de quatro (sempre mudando de grupo é importante), fazerem a apresentação dos trabalhos em forma de seminário ou debate (respeitando a capacidade argumentativa e o conhecimento de cada aluno, conforme a faixa etária), como se usa no Ensino Médio e Faculdades. Que todos apresentassem suas ideias / opiniões sobre o assunto, seus conhecimentos, suas pesquisas. Assim, cada aluno passaria a sua visão/a sua bagagem que traz de casa, quanto ao assunto estudado/pesquisado; mostrando a sua individualidade, o seu desempenho, durante a apresentação; desenvolvendo, de certa forma, a sua argumentação, os seus questionamentos, a sua autoestima e sua participação e interação coletiva. Depois, o professor complementaria o que ficasse a desejar. 
Mas, se isso vem acontecendo, não é só com os trabalhos; acontece com as leituras dos livros literários/ textos/conteúdos das aulas de Língua Portuguesa/Geografia/História/Ciências, etc. Muitas vezes, a leitura de textos literários torna-se algo não prioritário. Às vezes, os alunos a realizam de maneira tão superficial, sem ao menos analisar detalhadamente a questão discursiva, o que se discute no contexto, ou melhor, nesta fase, a tão conhecida moral da história. O mais comum é os alunos fazerem a leitura oral ou silenciosa do texto proposto pelo (a) professor (a), através do livro didático, ou seja, do livro do aluno, que pode ser de qualquer outra disciplina, e depois, a professora fazer alguns comentários ou perguntar para a turma o que entendeu sobre o texto. Geralmente, poucos alunos falam e depois os alunos completam uma longa interpretação escrita, quase como o antigo “questionário”, proposta pelo livro didático. O professor que é dedicado, geralmente, dá os famosos vistos, para ver quem fez e deixou de fazer a atividade, depois corrige e parte para outro texto ou conteúdo. E, assim, a turma vai levando sua vida estudantil por quatro horas ou mais, muitas vezes, sentados, com poucas horas de intervalo. 

Essa é a realidade que tem, não sei se como um “entrave ou sorte” o uso abusivo do livro didático, Elaine. É ele que vem ditando normas em quase todas as escolas. Você, talvez não tenha percebido. O livro didático é um ditador. E quando esse livro foi muito bem escolhido, ainda, pode louvar, porque há livros bem ruins mesmo. Muitos professores, da minha época, sem o livro didático não sabiam o que fazer, ficavam de “mãos atadas”; não sei se ainda ficam. Era a sua principal ferramenta. O único livro em muitas casas de alunos. Infelizmente! Frente a tantas mudanças comportamentais, tecnológicas e culturais, ainda, há professores que querem dar aulas como há quarenta anos ou mais. Isso não é mais viável, é óbvio. As expectativas são outras, em ambas as partes, tanto para o aluno quanto para o professor.  
O livro é um recurso importantíssimo, ninguém pode negar, é quase que indispensável para o bom desenvolvimento do ensino-aprendizagem, porém tem assumido o papel de “guardião” do que se deve dizer, de como ensinar e do que se deve fazer. E isso não é bom.  Vem enfraquecendo a autonomia do professor. Não deve ser usado como um curso pronto, seguido à risca, que livra o professor de planejar aula, interferir, adequar e complementar. O professor deve mesclar esse recurso com outros, tais como: a promoção de um debate sobre algum assunto novo ou escolha da maioria dos alunos, que pode ser antes das pesquisas para atrair os alunos para a mesma ou depois; organização de uma entrevista com um especialista (que pode ser um pai ou uma mãe da escola) sobre um assunto de Ciências/Geografia/História ou outra; uma visita a um museu; uma análise de uma música/filme/vídeo (que também é um texto), etc. Tudo de acordo com o nível cultural e de aprendizagem dos alunos. Uma vez que, o uso abusivo do livro didático torna as aulas muito rotineiras, limitando o conhecimento dos alunos, tornando o aluno dependente, subordinado ao texto do livro didático, passivo; pouco contribuindo para a construção do imaginário, necessário à produção de sentidos, que é a interpretação.
 

E quanto aos seus questionamentos sobre competição? Fiquei também a indagar por que não existir competição? Pesquisando sobre a mesma, encontrei duas opiniões distintas. Segundo De Rose Jr, “a verdadeira natureza da competição é que ela cria mais perdedores do que vencedores. Nesse ponto a competição passa a ser tanto desencorajadora quanto ameaçadora àqueles que não possuem capacidades e habilidades suficientes para desempenhar adequadamente e obter o desejado sucesso.” No entanto, Quésia Bombonatto, psicopedagoga e presidente da Associação Brasileira de Psicopedagogia (ABPp),  afirma que: "Hoje, os jovens não sabem perder, não sabem ouvir não, querem tudo do jeito deles, e isso é um problema sério para a sociedade". Continua dizendo que “a escola é um bom local para a criança aprender a lidar com frustrações - seja por ter perdido um campeonato ou por não ter tirado a nota mais alta da sala, porque ali ela está entre seus pares”. Andressa Ruiz Barbosa, orientadora educacional do Colégio Franciscano Nossa Senhora do Carmo (Franscarmo), na capital paulista, concorda com ela: "O mercado pede profissionais que saibam lidar com a pressão e com a frustração. E a fase escolar é um aprendizado para a vida adulta".

 Mas, a meu ver, muitas escolas esquivam de atividades competitivas, como gincana, por exemplo, por exigir muita organização e planejamento. A turma fica muito eufórica, alegre, e o professor precisa entrar nesse clima, se não pode virar festa ou bagunça. Existem diretores e professores que preferem classes silenciosas a atividades competitivas. Contudo, são de extremo valor, promove o desenvolvimento do vocabulário, das memórias por associação e visual, do trabalho em equipe, do sentido de respeito e coleguismo, além da verificação de aprendizagem. A escola que trabalhei realizava muitas atividades competitivas em sala de aula e em outros momentos. E hoje, então, para chamar atenção dos alunos, as aulas têm que ser shows, mais teatrais ou musicais, através do entretenimento, do lúdico, do brincar fazendo. E, acima de tudo, sendo amigo do aluno, tratando-o com afeto, carinho e respeito.

Você tocou em outra questão interessante. “Ainda tenho o dilema em escolher a melhor escola pra ele, em que ele não tenha que se "adaptar" e sim a escola acolher ele como ele é, entendem? O que eu digo é a escola conhecer ele a família dele e à partir daí suprir as necessidades de ensino dele. Por exemplo, ele é um bom aluno e não solicita a professora que o ensine, aprende rápido, mas isso não quer dizer que não precise da "atenção" dela. Isso mesmo, crianças fáceis de lidar e fáceis de aprender também precisam de atenção do professor.” Isso mesmo, Elaine. Todo aluno, ou seja, todo ser humano deseja ser notado/apreciado e valorizado. Quando isso não acontece vai perdendo o interesse. O certo seria vocês pais irem experimentando as escolas, para ver qual a escola que melhor se encaixa e possa adequar melhor para ele. Pelo que percebo, ele é uma criança com um nível superior acima da média, e isso, geralmente, pode deixá-lo desmotivado, se a escola não atender as suas expectativas.

Em fim, perfeito! Você disse tudo! A escola ideal pela qual se busca, sonha, hoje, poderia exercer uma enorme importância por toda a sociedade. Por tamanha importância que a mesma se fará jus; bastaria que todos a olhassem além do que os olhos podem ver e ensinar os alunos a pensarem sobre o mundo, a sociedade na qual estão inseridos e o mundo das diferenças, para dar subsídios aos alunos ao enfrentarem as distintas adversidades da vida.
 
Abraços

4 comentários:

  1. Que bom ouvir (ou no caso, ler) respostas para os anseios de todas as mães e perceber que eles são coerentes!
    Beijinhos
    www.mamaeaprendiz.com

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  2. Adorei blog, estou começando o meu www.meumundoazul.com. Obrigada bjinhos

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  3. Olá,amiga(o)!

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