O futuro e a preocupação dos pais com os filhos


Uma das maiores preocupações de hoje, é, sem dúvida, o futuro de nossas crianças e  adolescentes.

Como prepará-los para que saibam e possam desenvolver-se bem em uma sociedade vindoura daqui a 10/20/30 anos. O quê se pode prever? Que mundo eles irão enfrentar? Se nem se quer imaginemos quais problemas e ofícios os mesmos enfrentarão?

No cumprimento de nossa missão, como mãe ou pai, ou professor (a), a nossa maior preocupação é no sentido de podermos educá-los, prevenindo-os e preparando-os, adequadamente, para a vida futura.  Mas qual educação é necessária para ensiná-los a conviver bem no futuro incerto ou vazio de sentido? “Que lhes prega a exaltação descontextualizada do "carpe diem" (“aproveita o dia”), escrita por Horácio nas suas "Odes", “para curta tudo o que puder, no menor tempo possível, pois só há um horizonte: a vida é breve e sem sentido, e nada mais nos resta a não ser o momento", segundo Mário Sérgio Cortella. E que, ainda, nos responsabiliza, como pais e mães, quase que, inconscientemente, por tudo – tanto pelo progresso quanto pela decadência de suas próprias vidas.

Assim, eu lhes pergunto, leitores - pai ou mãe, professor ou professora, que geração estão formando para o futuro? Futuro este que nos faz tantas interrogações e provocações, carregadas de um estigma de muita auto-cobrança e de uma falsa expectativa, aliada a(in) segurança e (in)certezas de quase nada, e de quase tudo, que vai nos irrigando e nos aliciando  a acreditar que tudo, hoje,  seja preciso e possível fazer para ajudar os nossos descendentes. Como se, em algum lugar, alguém tivesse a fórmula mágica do sucesso, da felicidade e da perfeição em todos os sentidos, e pudéssemos lá buscar para transformar a nossa vida e a vida deles. Deixando-nos, de certa forma, (im) potentes, sentindo-se na obrigação de fazer alguma coisa, sob pena de que fique tarde demais, e nos culpem de não termos feito, o quê realmente seria necessário.

Diante disso, caminhamos com um olho no presente e outro no futuro. Crentes na (im) precisa “ideia de que o quê se semeia no presente, no futuro será bem vivido e edificado”. Na realidade, nem sempre é! O futuro é um período além de nossa compreensão. Cheio de muitos contrastes / imprevistos /surpresas - boas e ruins. Principalmente, quando “a vida humana perde valor a cada dia; o mal vem se tornando banal”, como alertou Hanna Arendt (1999). E, segundo Raimundo Lima, Doutor em Educação, Professor do Departamento de Fundamentos da Educação (DFE-UEM), “tudo que era utopia e otimismo na Modernidade se liquefez ou se evaporou”. Por exemplo, os jovens da década de 1970 queriam transformar radicalmente o mundo. Os jovens de hoje “sonham pequeno”, escreve o psicanalista Contardo Calligaris. Francis Bacon (1561-1626) “imaginou um futuro [hoje] cuja tecnologia forneceria uma vida boa e feliz. Mas as pesquisas apontam um aumento significativo de pessoas que sofrem depressão no mundo”.

Deste modo, meio a tantos valores tradicionais, culturas e sonhos que estão diluindo, e desafios e escolhas que ninguém possa antever, muitos pais e mães ficam perguntando: Que mundo e ofícios nossos filhos estarão submetidos? As respostas vêm sempre com outras perguntas. Que mundo nós estamos deixando para eles? Como estamos preparando nossas crianças e jovens para viverem nele?   Esses dias, ouvindo o sermão do padre daqui da minha paróquia, falando sobre a necessidade de ajudarmos nossos irmãos menos favorecidos, de sermos mais solidários, menos ambiciosos, e de livrarmos desta cultura “de cada um para si e Deus para todos”, (não disse bem com essas e estas palavras, mas pude entender desta forma), ele nos confessou: que, embora, as pessoas sejam conscientes da importância de serem, a cada dia, mais humanas, melhores, o que se percebe, infelizmente, é que não há uma expectativa de mudança de comportamento permanente; porque, às vezes, até há boas atitudes de imediato, mas não há uma cultura / uma prática constante, ele finalizou.  Assim, pensei...desse modo, com tantos outros problemas, por exemplos: a questão do desmatamento e da poluição, da corrupção, da violência contra as mulheres e outros, do combate às drogas lícitas e ilícitas e da falta de ética em quase todas as áreas, etc.

É uma dura realidade...que exige não só de nós, mas de legisladores, protetores e representantes da sociedade uma retidão de comportamento permanente, ou seja, uma prática constante e não apenas uma preocupação. E é importante começarmos pela educação e orientação dada às nossas crianças e adolescentes, tendo como norte, além dos valores cristãos, os bons exemplos dos pais e da família, os estímulos oferecidos tanto pela família quanto pela escola, os bons hábitos / as boas maneiras, que, ainda, constituem o alicerce sobre o qual a nossa vida pode (e deve) ser firmada - tanto no lar quanto no trabalho e na sociedade; para que amanhã seus alvos e seus propósitos sejam melhores conduzidos e essa tradição do “não é comigo, não tenho nada a ver com isso” seja quebrada. O que é vivido na infância ficará gravado e poderá influenciar positivamente nas suas vidas e na sociedade.

Seria importante também que os pais, mães e mestres incutissem em seus filhos e alunos o desejo de vencer, de se entregarem aos estudos, ao trabalho, ao bem estar da família e também das outras pessoas próximas ou não. Com força de vontade. Com entusiasmo pela vida. Sem se desalentarem. Sem se entregarem às preocupações excessivas. Sem se deixarem sucumbir pelos obstáculos. Nunca deixando que o desânimo se aposse de suas vidas. Procurando vencer os obstáculos com coragem e destemor. Conscientes de que tudo na vida tem um preço, tem um custo.  Ninguém é bom ou tem sucesso nisso ou naquilo porque tem sorte, jeito ou talento. Tudo exige sacrifício. É resultado de muito esforço, muito estudo, muita preparação, muito trabalho, durante horas e horas ou anos e anos de investimento.

E, segundo Raimundo Lima, “os pais têm papel fundamental nesse processo de elaboração do melhor futuro, primeiro, respeitando e escutando os sonhos de seus filhos. Depois, acompanhando-os no seu trabalho de realização. No fundo, (ele destacou), sonhar é tão importante como realizar”. E, nos adverte de que é preciso parar de comparar crianças ou adolescentes em bons e fracos. Segundo ele, citando Joel Baker em The Power of Vision, “uma pesquisa constatou ser mais importante uma boa perspectiva de futuro do que a própria inteligência ou a pertença a uma família bem estruturada”. Geralmente, podemos observar que quem tem um sonho / um objetivo / um projeto de vida a vencer tem mais força de vontade, não se entrega aos pequenos ou grandes obstáculos, nunca deixa que o desânimo tome conta do seu ser...Luta com coragem pelo que quer. Diferente de quem não sonha / de quem não faz ideia do seu futuro, deixando por conta do destino.

E dentre tantas alternativas importantes da vida, tantos sonhos, estão as profissões. Que, segundo Roberto Macedo, ex-professor da USP, “o correto é estar preparado para enfrentá-las, independentemente de suas características” - “no mundo do trabalho navegamos, como um surfista, com a nossa competência como tal, mais a prancha, diploma ou profissão que escolhemos. Não temos, contudo, controle sobre as ondas de oportunidades que surgirão, nem mesmo se elas virão na praia profissional escolhida. Especular sobre as profissões do futuro é como teorizar sobre as ondas que virão”.

Assim, é a nossa vida também. Teorizar sobre a mesma, no futuro, é igual “dar tiro no escuro”, como as pessoas dizem aqui no interior. Ninguém sabe o quê está por vir. O Futuro só a Deus pertence. Mas a ordem das coisas é seguir...de passos largos ou não...do jeito que cada um pode, mas sem nunca perder a esperança, nunca perder a fé em Deus e nunca desistir do que sonha. Sonhando e trabalhando, nossas crianças e jovens poderão alcançar até o quê lhes parece impossível.

Essas foram as reflexões da professora Nilva

Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.