Dicas para escolher a melhor escola para seus filhos.


Já estamos na época das matriculas e das rematrículas, nada melhor do que tirar as dúvidas com as dicas da nossa colunista +Nilva Moraes Ferreira 

Como posso saber qual é a melhor escola para meu filho?

O novo ano está se aproximando, e com ele muitas preocupações acerca das novas perspectivas de educação formal para os filhos. Principalmente, para aqueles que são “marinheiros da primeira viagem”, que precisam escolher dentre tantas, a que mais se adapte/se identifica com a sua filosofia de vida, e com seus filhos. 

Segundo Mario Sergio Cortella, filósofo, teólogo e professor, “escolher o colégio que mais se ajusta ao perfil da família é como provar vários pares de sapatos até encontrar o mais confortável, a escola tem que compactuar com os interesses de pais e filhos”.

Mas como posso saber qual é a melhor escola para meu filho, como posso distinguir entre as demais?

O que devo estabelecer como prioridade?

 A localização? 

A estrutura física?

A proposta pedagógica? 

A capacitação dos professores? 

As referências de outros pais?

Os índices de resultados de avaliação do IDEB ou do Enem? 

Os métodos de ensino?

A quantidade de alunos por sala?

Todas essas perguntas devem ser levadas em conta, para encontrar a melhor escola.

A localização deve ser levada em consideração, principalmente em uma cidade grande, onde o aluno dependerá de um transporte escolar ou da disponibilidade dos pais para levá-lo e buscá-lo. No entanto, não se deve ser o principal quesito.

É preciso prestar atenção na estrutura física – observar se o ambiente é seguro (se há alguém que controla a entrada e a saída das pessoas). Certifique-se de que existe área suficiente para as crianças brincarem (se há alguém que fique observando os alunos, no pátio, e entrada e saída dos banheiros), preste atenção na higiene e iluminação desses locais (se não há criadouros do mosquito da dengue, por exemplo), e se nos itens de segurança obrigatórios – como tomadas isoladas, pisos antiderrapantes, acessos bloqueados a escadas e piscinas e janelas com rede de proteção. Deve observar se há biblioteca, laboratório de ciências e de computação, e que frequência esses espaços são aproveitados pelos alunos para a pesquisa.


A proposta pedagógica ou PPP (projeto Político Pedagógico) é um parecer que organiza /aparelha/dá direcionamento à escola, de como o aluno e os conhecimentos serão tratados pelos professores.

 Para isso a UNESCO criou quatro pilares da educação como princípios norteadores das políticas educacionais do mundo todo. São estes:


· Aprender a conhecer

· Aprender a fazer

· Aprender a ser 

· Aprender a conviver

  Estes são, pois, o grande desafio de todos os educadores: 

1º) Aprender a conhecer se associa ao conhecimento pragmático, vinculado ao preparo do professor para a utilização de novos conhecimentos e de novas tecnologias, com o objetivo de promover a participação ativa do aluno, hoje, para que, no futuro, possa usufruir desses conhecimentos, ao longo da vida; estimulando-o a buscar o conhecimento, sempre.

2º) Aprender a fazer tem como meta levar o professor a se auto avaliar a sua prática educacional, rever dar novo sentido aos conteúdos, as estratégias, a organização da sala de aula, da escola, a relevância dos temas abordados, os recursos didáticos adotados, com o objetivo de preparar o aluno para a vida e profissionalmente, sabendo conviver em equipe, sabendo enfrentar numerosas situações, até imprevistas. Sabendo expressar, comunicar, interpretar informações, adquirir competências amplas;

3º) Aprender a ser exige que a escola promova o desenvolvimento total da pessoa, ensinando o aluno a cultivar os valores humanos, descobrindo novos talentos, uma vez que, acredita-se que o futuro exigirá da geração futura, grande capacidade de autonomia e de discernimento das coisas, mais responsabilidade pessoal, num espaço coletivo; 



 4º) Aprender a viver juntos, aprender a viver com os outros atua no campo das atitudes e valores, preparando o aluno para a concorrência e para o sucesso individual, desenvolvendo a capacidade de ouvir e compreender o outro, e a percepção das interdependências, na realização de projetos comuns, e no preparar-se para gerir conflitos, levando ao cultivo do respeito pelos valores do pluralismo, da compreensão mútua e da paz.


A proposta pedagógica é tudo isso: a escola em busca do passaporte para a vida, isto é, do saber, transformando-o em matéria-prima e adequando-o às condições reais de seus alunos. Transformando o conhecimento em competências e formando o cidadão para o próximo milênio. 

Desse modo, fica registrado tudo que a escola pretende desenvolver de projetos, durante o ano, planejados pela direção e professores. E que deve ser seguido, na prática, e não ficar só na teoria; englobando os recursos pedagógicos (livros, apostilas, jogos e aparelhos eletrônicos), e também os objetivos da escola, metas a serem cumpridas e as formas de avaliação (provas e trabalhos). Toda escola pública ou privada deve - se levar em conta a LDB 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases), a Constituição Brasileira, o Estatuto da Criança e do Adolescente e o que está disposto nos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais). Os pais devem avaliar os diferentes projetos pedagógicos e discursos/falas dos dirigentes e professores de escolas, para ver se estão de acordo com o que eles esperam, e o ritmo de cada criança.

 A capacitação dos professores, a experiência, a formação específica para tal disciplina ou fase (infantil ou adulto); tudo isso conta muito. Verifique se a instituição promove cursos, reuniões e propostas de formação continuada para seus profissionais. O bom professor deve estar, sempre, se aprimorando e se auto avaliando para conseguir se ajustar aos princípios dos quatro pilares da Educação.
Assim, como disse Paulo Freire “... Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.”  

As referências de outros pais são de suma importância. Passe “saber”, quem estuda nessa escola. Conversem com pais de crianças de sua igreja, de seu trabalho, de seu bairro que já estudam, perguntem como são as escolas dos seus filhos, e por que optaram por essa escola? Conheça a rotina das crianças e solicite uma visita para observar e acompanhar a turma em atividade.


Os índices de resultados de avaliação do IDEB ou do Enem são resultados que avaliam o desempenho dos alunos e das escolas que esses estudam, que considero de extrema valia, principalmente para os alunos dessa fase.

Os métodos de Ensino são procedimentos – técnicas, estilo que nortearão os objetivos da escola e as práticas de ensino do professor. Há vários métodos, um mais tecnicista e outros mais liberais, abertos para ouvir o aluno, deixá-lo mais livre para buscar o conhecimento, a socialização, etc; através de situações/estratégias diversificadas, inovadoras e intervenções dos professores. 

Entretanto, nenhuma escola, a meu ver, consegue seguir apenas uma linha. Todas as escolas são, um pouco, tradicionalistas. Porque para organizar uma instituição, exigir que um grupo de professores e alunos cumpram normas ou regras, não têm como não ser, um pouco, tradicionais. E outra, há métodos que são, extremamente, eficazes, e, tenho certeza, de que revolucionaram as práticas de ensino, no Brasil, no que se refere à auto formação do aluno, a importância/abrir espaço para o aluno falar/ expor suas ideias/participar, estimulá-lo a buscar o conhecimento; favorecendo o desenvolvimento da criatividade, independência, confiança, iniciativa, autonomia e a sociointeração entre os alunos. Mas, para que haja agenciamento dessas atitudes, não depende exclusivamente do conhecimento e da formação do professor, é necessário que o professor saiba transmitir os conteúdos, de forma que a maioria entenda e mantenha esse conhecimento arquivado, em sua memória, por muito tempo; com menos cansaço e mais interação, tendo como princípio básico os quatro pilares da Educação. É preciso que o professor seja criativo, dinâmico, comunicativo e sociável. Essas características são mais uma questão de estilo próprio do professor.

Mesmo que a escola siga uma linha mais construtivista, por exemplo, ela possui traços de outras metodologias. Acredito que a maioria siga algumas abordagens que julgue convenientes para desenvolver bem tal conteúdo. Eu penso que nada impede uma escola ou um professor, que siga um método Tradicional ou Construtivista, de usar um material da teoria Montessoriana, por exemplo. A escola é autônoma. Há abordagens em alguns métodos, que considero, não impossíveis; não se pode radicalizar tanto, mas difíceis de serem conduzidas, em uma sala com 20/30 alunos da Educação Infantil e do 6º ao 9º ano, do Ensino Fundamental. Toda escola segue normas do MEC, tem um currículo mínimo a cumprir, que é flexível, mas é preciso que seja exercido, em um espaço de tempo, de 200 dias letivos.

Os principais métodos, conforme pesquisa, são: tradicional, construtivista, sociointeracionista, montessoriano, pedagogia Waldorf e pedagogia Freinet. Todas muito interessantes.



O métodoTradicional
É uma filosofia que valoriza a quantidade do conteúdo ensinado. O foco está no professor, que considera detentor do saber, por isso repassa os conhecimentos aos alunos. Os alunos são avaliados mensalmente ou bimestral. Quem não atinge a nota mínima necessária, no conjunto de avaliações, ao longo do ano, que está cursando é retido, na mesma série, isto é, deve de refazê-la.
É comum que essas escolas usem livros, apostilas com conteúdos mais sucintos ou específicos e cartilhas. Essas instituições são voltadas para o sucesso do aluno em provas como: SAEB, o Enem e o Vestibular.

Construtivista (ideias de Jean Piaget -1896-1980)


 “Por outro lado, o Construtivismo parte do princípio que as crianças são ativas, no processo de aprendizagem, construindo seus conhecimentos a partir das experiências vivenciadas, no dia a dia e suas descobertas, feitas pelo contato com o mundo e com os objetos”. Também há provas e reprovação nessas instituições.
 Sociointeracionista (originária do trabalho do psicólogo bielo-russo Lev Vygotsky (1896-1934). Hoje, fala-se muito em uma filosofia sócio interacionista, que é uma variação do construtivismo. Que atribuía um papel preponderante às relações sociais na aprendizagem, enquanto Piaget dava mais importância aos processos internos de cada aluno.

Montessoriano (1870 -1952)

 É uma teoria desenvolvida pela médica Maria Montessori, que é baseada na estimulação da criança por meio da manipulação de objetos. A própria médica criou o material educativo a partir do qual a criança explora e realiza diversas tarefas (pré-organizadas pelos educadores) de forma livre, gerando, assim, suas aprendizagens. Um dos mais famosos é o Material Dourado, composto por cubos, placas, barras e cubinhos, que têm o objetivo de facilitar o entendimento das operações matemáticas. As crianças escolhem as atividades que querem fazer. Ao adulto cabe coordenar o trabalho com gradação de dificuldade crescente, respeitando o ritmo de cada aprendiz e sem intervenções indevidas. As classes têm crianças de idades diferentes.


A pedagogia Waldorf (1861 -1925)
É uma linha antroposófica, criada a partir das ideais do filósofo alemão Rudolf Steiner, segundo algumas pesquisas, busca o desenvolvimento da criança nos diferentes aspectos, incluindo físico, social, individual e espiritual. Ao invés de serem divididos por séries, os alunos são separados de acordo com a faixa etária, não havendo repetência. As aulas incluem artes (habilidades artísticas, musicais, de movimentação, de dramatização, até marcenaria ). São aplicados testes e provas em algumas matérias, especialmente no ensino médio, e, em alguns casos, nas últimas séries do ensino fundamental. Mas a avaliação do aluno também engloba a execução de trabalhos, o grau de dificuldade que o estudante tem com o assunto, o empenho em aprender e o comportamento. Os pais recebem avaliações trimestrais com a descrição da atitude de seus filhos diante das tarefas solicitadas no período. O professor permanece com a mesma turma por toda uma etapa (por exemplo, os nove anos do ensino fundamental).

Freinet(1896-1966)
Outro pensador que costuma nortear o trabalho de algumas escolas é o pedagogo francês Célestin Freinet, mas sem dar nome exatamente a uma linha pedagógica. Nas instituições que colocam em prática conceitos de Freinet, o aprendizado acontece por meio do trabalho e da cooperação. Nesse tipo de escola, a criança é incentivada a compartilhar suas produções com os colegas, sejam eles de sua classe, de outras ou de escolas diferentes. As avaliações levam em conta o progresso do aluno em comparação ao seu desempenho anterior e não em relação com os demais.

Quantidade de alunos por sala 

Educação Infantil
Até dois anos - Seis a oito crianças por professor, disponível em sala, é o número ideal para a Educação Infantil, segundo recomendação do MEC. Até 3 anos - até 15 crianças por professor, em sala, é o numero aceito pelo MEC. Dos 4 a 6 anos - Nessa faixa etária, o número máximo recomendado é de até 20 estudantes por sala. 

Ensino fundamental
De 25 a 35 alunos é o número ideal de estudantes por sala de aula dessa faixa, segundo a Secretaria de Estado da Educação (Seed). Para o Conselho Nacional de Educação (CNE), o ideal seria 25 alunos por sala, nos anos iniciais, e até 30 estudantes nos anos finais.

 Ensino médio 
No máximo, 40 alunos por sala, de acordo com a Seed. O CNE recomenda até 35 estudantes.

Portanto, pais, vão bem informados, conversem com os dirigentes e professores; avaliem bem, e façam, pelo menos, visita em duas ou três escolas, entre aquelas selecionadas como as mais prováveis. Além disso, uma vez escolhida a escola, é fundamental o acompanhamento, bem de perto, da vida escolar do filho e a manutenção de uma relação dialógica com o (a) professor (a) e com a instituição educativa como um todo.

(Fotos fonte Wikipédia)

Abraços

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