Conviver bem é um processo de aceitação do outro


Hoje a nossa colunista fala sobre convivência e aceitação.

Neste final de semana fui a uma reunião da escola e constatei o quanto é prejudicial esta superproteção dos pais, hoje as crianças não podem brincar, ter problemas de convivência, se frustrar... enfim ser crianças, por que qualquer coisa que aconteça no ambiente escolar a escola é imediatamente culpada e até processada.

A escola esta engessada, não podem deixar mais que as crianças cresçam e tenham autonomia, tudo tem que ser feito por elas.

O moleque foi chamado atenção por estar correndo no recreio com os amigos e na correria acabou trombando com uma amiga (conversamos, orientamos ele por estar correndo) e a machucou o que foi horrível e ele se sentiu péssimo, mas a preocupação exagerada da escola com o fato me preocupou, eles estavam preocupados com a reação dos pais da menina, mesmo sabendo que foi um incidente e que foi sem querer.

Ouvi que as crianças não podem mais brincar no recreio, todas comem juntas e tem que esperar as outras pois só tem uma professora para olhar por elas...oi?

Meu filho (moleque de tudo) perguntou e com razão, se não podemos correr, brincar de pega-pega, vamos fazer o que?

Não filho não pode correr, e até o dia da reunião não podia nem levar brinquedo...mas agora pode, porém todavia e entretanto rsrsrs... veja bem o aluno pode levar algo que não chame atenção das outras crianças, pois elas não podem lagar o lanchinho e ir sem comer pra casa, porque se não a mãe escreve um bilhetinho falando que o filhinho não comeu...meu Deus me ajuda, para o mundo que eu preciso descer!!!!

O que aconteceu com os recreios,????

Na minha época o recreio era com crianças menores, maiores todas juntas, uma correria só, era delicioso aquela agitação o murmurinho das crianças, aquela gritaria, os professores, os professores iam para sala dos professores tomar café, conversar com os colegas...agora não podem ir no banheiro, virar as costas pois se acontecem algo que eles não estejam vendo, pronto...pais que pagam escolas são exigentes e seus filhos de vidro!!!!

No nosso recreio tínhamos que controlar nosso tempo no intervalo das aulas se enrolássemos para comer não conseguiríamos brincar, ir no banheiro...então saiamos feitos doidos para dar tempo de tudo e dava e se ficássemos sem comer duvido que a nossa mãe mandasse bilhetinho na agenda da escola...meu filhinho não lanchou...

São crianças de 6 anos gente, elas tem que ter alguma autonomia e saber se virar com as situações. Se passou fome num dia no outro vai controlar melhor o horário e pronto.

Mas enfim, desculpem o desabafo e vamos ao texto na nossa colunista.

Abraços

 

Foi Mário Quintana quem disse: “A arte de viver é simplesmente a arte de conviver, simplesmente, disse eu? Mas como é difícil!”

Concordo plenamente com Mário Quintana, grande escritor brasileiro, que “conviver” é mesmo uma arte dificílima, até entre pais e filhos. Aprender a aceitar o processo de individualização daquele ou daquela que é parte do seu corpo, que, embora, seja sangue do seu sangue, é diferente e tornou “independente” não é fácil.

A maioria das mães e pais, por amar incondicionalmente seus filhos, tenta guiar os seus passos, acompanhá-los em todos os lugares, ajudar em tudo, entregar tudo prontinho, ensinar tudo que acha que irá lhes proporcional melhor futuro; então, tenta precipitar o que for possível para aumentar os seus conhecimentos e encaminhá-los.  Acreditando que agindo assim estará protegendo e fazendo de cada um, melhor ser, melhor profissional, mais feliz, mais saudável, com experiências de sobra para poupá-los de qualquer sofrimento, não compreendendo que com isso estejam eliminando as possibilidades de desenvolver neles os instrumentos necessários para enfrentar as dificuldades.

É como o caso da borboleta que o homem cortou o casulo para ajudá-la a sair do mesmo, “e a borboleta passou o resto de sua vida rastejando com um corpo murcho e asas encolhidas. Ela nunca foi capaz de voar. O que o homem, em sua gentileza e vontade de ajudar não compreendia, era que o casulo apertado e o esforço necessário à borboleta para passar através da pequena abertura era o modo pelo qual Deus fazia com que o fluido do corpo da borboleta fosse para as suas asas, de forma que ela estaria pronta para voar uma vez que estivesse livre do casulo”.

Desse modo, nós, pais e mães, agimos inconscientemente com nossos filhos, acreditando que estamos lhes fazendo o bem.  E, infelizmente, não. Essa superproteção, essa presença constante de adultos controlando as ações das crianças, esse excesso de zelo e exagero de atividades extracurriculares, segundo uma pesquisa desenvolvida no Instituto de Psicologia da USP, contribuem para a falta de autonomia e espontaneidade delas, além de levá-las a vivenciarem o tédio, e só piorar a convivência entre pais e filhos.

E aí, como dizem os mais antigos, “o tiro sai pela culatra”.  Em vez de criar filhos  felizes, que se relacionam bem com os pais e com todas as pessoas, sendo independentes, naturais; sufocamos tanto que os estragamos. Mas, pensando bem, qual pai e mãe, hoje, não protegem e não projetam um tanto de sonhos e as melhores expectativas para os filhos?  Eu disse “hoje”, porque embora, os pais de outrora, cogitassem do mesmo jeito, eram mais discretos, não se ambicionavam tanto. Não exigiam tanto dos filhos, quanto a se destacarem nessa ou naquela atividade.
(foto: Revista Veja)
 

A grande verdade é que cada geração tem uma expectativa para sua vida e para os filhos, de prosperidade econômica, de realização pessoal, de comunicação e de convivência, etc. A geração internet, como é mais conhecida, atualmente, vem sendo, sem perceber, constantemente atormentada também por este tal fenômeno moderno das redes sociais, que com apenas um clique, criam e mostram um mundo meio fantasioso, onde “a maioria” das pessoas expõe apenas uma versão maquiada e melhorada de si mesmas e de suas realidades, ou quando verdadeiras, vamos assim dizer, apenas dos melhores momentos; então, expõe suas carreiras, seus relacionamentos, suas viagens, seus momentos de lazer, etc. Isso, se por um lado, expande a comunicação e a informação entre amigos, familiares e outros; por outro lado, afligem jovens e adultos que levam uma vida mais simples, sem muitas badalações, e que preferem não expor seu lado bom e mais íntimo da vida. 

Ainda, essas grandes expectativas de resultados, por parte dos pais e por parte dos meios de comunicação têm deixado muitos jovens e até adultos com a autoestima muito baixa, além de causar uma convivência ruim entre os mesmos. Porque nem sempre os pais podem dar o que os filhos sonham e cobram. Nem material e, principalmente emocional. Felicidade, realização pessoal e facilidade para conviver com as pessoas, por exemplo. E os filhos, por sua vez, também não podem dar o que os pais e a sociedade exigem e cobram deles.  Mas “aceitá-los como eles são; olhar para os filhos sem expectativas significa poder amá-los mesmo que sejam bem diferentes dos sonhos e desejos que projetamos neles”.

Desse modo, a maior tarefa da família, a meu ver, é educar os filhos, de forma que promova uma convivência boa entre os mesmos (pais e filhos) e também com outras pessoas, e que desenvolvam neles uma independência natural, desde pequenos, que, aos poucos, de acordo com as expectativas deles, eles vão absorvendo e fazendo suas escolhas, a curto ou longo prazo, a fim de encontrarem suas próprias realizações, livres de imposição e das aspirações maternas e paternas. É claro, pais e mães, nós não podemos esquecê-los e nem perdê-los de vista, nunca.

Segundo o padre Reginaldo Manzotti, em seu livro “10 respostas que vão mudar a sua vida – Histórias reais para inspirar você a superar obstáculos e manter a fé”. “O afeto e a atenção também são fomes que nós humanos, filhos de Deus, feitos à imagem e semelhança Dele, precisamos saciar”.

“Muitas vezes, temos tudo aquilo que queremos, mas não aquilo de que necessitamos”. E, isso, muitas vezes, acontece na convivência do dia a dia, damos quase tudo que achamos que nossos filhos “precisam” – compramos os melhores computadores, os melhores celulares, investimos em grandes viagens, investimos em grandes bens materiais, colocamos nas melhores escolas e cursos, aconselhamos, protegemos, ensinamos o caminho. Fazemos de nossa parte, pensamos, não é mesmo? Mas talvez não seja isso que nossos filhos estejam precisando. Eles precisam aprender a caminhar sós, querem que os admiramos, querem que transmitimos confiança e temos confiança neles. Querem ser felizes! Querem ter muitos amigos. Querem amar e serem amados. Quem não quer isso, “todo mundo quer”, não é mesmo?

Portanto, precisamos aprender a conviver, tendo capacidade de nos colocarmos no lugar do outro, de exercitarmos a humildade, o controle do pensamento e das emoções, e a sabedoria de expor sem impor as idéias e as experiências. Precisamos dar tempo, “o nosso tempo não é o de Deus”, para ganhar tempo, ouvindo o que os nossos filhos têm a dizer. Sermos receptivos às suas dificuldades, diferenças, aos seus interesses e desinteresses, aos seus gostos e desgostos, às suas angústias, e aos seus desabafos. Dói, eu sei, dói muito, mas como disse o padre citado, “ninguém deve desistir do filho, da filha..., mas perseverar na fé, depositando as esperanças em Jesus, pois n’Ele tudo tem solução. Ele é o Deus do impossível!”

                                                           Um abraço da mãe, professora e avó

                                                                                                         +Nilva Moraes Ferreira 

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